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A felicidade faz parte das organizações e do trabalho

ESHT

Artigo de opinião de Susana Silva, docente da ESHT, escola de Hotelaria e Turismo do Politécnico do Porto


O conceito de felicidade organizacional é relativamente recente e, por isso, muitas vezes confundido com motivação em contexto profissional, compromisso ou comprometimento organizacional. No entanto, o conceito de felicidade organizacional é mais abrangente e inclui diversas dimensões como o envolvimento do profissional com a organização e a função, a satisfação com o trabalho, e o compromisso positivo com a organização e a função. A felicidade organizacional surge, assim, em função de um compromisso afetivo com a organização, do bem-estar na organização e na função, e da satisfação com o trabalho.

Diversos estudos internacionais (e.g. Betterson et al, 2018; Harrison et al, 2016; Judge et al, 2017) têm procurado estudar este tema e a sua importância para os colaboradores e para as organizações. Os estudos apontam que profissionais mais felizes são mais produtivos, sugerindo uma elevada relação entre a felicidade e a performance ou produtividade. No mesmo sentido, verifica-se uma relação positiva entre o nível de felicidade dos colaboradores e a satisfação dos clientes, evidenciando que o impacto da felicidade organizacional se verifica em qualquer ramo de atividade.

Reconhecendo que a realidade do mercado de trabalho muda a uma velocidade alucinante, que os colaboradores são um ativo fundamental das organizações e que, cada vez mais, se tornam exigentes e reivindicativos com as condições de trabalho, a felicidade organizacional surge como estratégia de gestão diferenciada de recursos humanos. Por um lado, pode minimizar problemas organizacionais diminuindo as taxas de turnover e de absentismo. Por outro, pode permitir que os colaboradores se sintam realizados e integrados na organização e na função desempenhada contribuindo para melhores performances organizacionais e para maior retenção dos colaboradores.

Os gestores das organizações são responsáveis por facilitar e dotar as pessoas de ferramentas que trabalhem e encontrem a sua felicidade. Assim, na perspetiva da organização é fundamental a promoção do bom ambiente interno, do reconhecimento e confiança, da possibilidade de desenvolvimento pessoal, da remuneração adequada, do envolvimento pessoal, com as chefias e organizações, e da adoção de práticas que promovam o equilíbrio profissional e da vida pessoal.

Contudo, este não deve ser apenas um objetivo das organizações, sendo também crucial que os colaboradores se envolvam nesta missão encontrando um propósito para a função desempenhada compreendendo o seu papel e competência na sua realização.

Assim, aos colaboradores é pedido que percorram esse caminho em conjunto com a organização. Caminho que deverá ser iniciado logo aquando da sua formação, nomeadamente, nas experiências de estágio e em todos os contactos que vão tendo com a sua futura função, no sentido de melhor compreenderem se se sentem realizados, plenos e felizes no desempenho dessa função.

Organizações e colaboradores devem caminhar juntos no projeto de felicidade para que cada um seja realmente realizado e feliz naquilo que faz e no local onde o faz!

Autor

Susana Silva

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