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Opinião P.PORTO | Cidades Sustentáveis, Cidades do Futuro

ESTG

Artigo de opinião de Miguel Lopes, professor na Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Politécnico do Porto


Na atual conjuntura económica e ambiental, hoje, mais do que nunca, faz sentido pensar nas cidades de modo a garantir as suas funções essenciais, a sua eficiência e o futuro das gerações vindouras. Para uma cidade se tornar ambientalmente sustentável deverá assentar em cinco pilares essenciais: melhoria da qualidade do ar; mobilidade e acessibilidade para todos; tecnologias da informação e comunicação (cidades 4.0); eficiência hídrica e regeneração urbana sustentável.

Com o crescente aumento da emissão de poluentes para a atmosfera, os níveis da qualidade do ar estão cada vez mais baixos, afetando assim a sua qualidade, provocando consequências na saúde da população (ie, doenças respiratórias e cardiovasculares) e ainda intensifica o aquecimento global do planeta, originando as consequentes alterações climáticas. As soluções para as cidades passam pelo incentivo a energias renováveis alterativas aos combustíveis fósseis, a eficiência energética, em particular na iluminação e aquecimento dos edifícios e os novos modelos de mobilidade.

A mobilidade suave deverá ser uma aposta, através da criação das necessárias infraestruturas e condições de segurança. Os novos modelos de mobilidade deverão ser fomentados e o transporte público coletivo deverá ser promovido, com a disponibilização de veículos cómodos e modernos e a oferta de horários adequados às necessidades da população. Devem ainda ser criadas plataformas intermodais que permitam coordenar diferentes ligações e meios de transporte. As novas tecnologias de informação e comunicação, conjugadas com a internet das coisas, deverão possibilitar a obtenção de importantes ganhos de tempo, poupança de energia e de recursos, sendo uma importante componente das Smart Cities.

A eficiência hídrica é uma temática premente dado que já todos nos apercebemos que a água poderá faltar nas torneiras, ou não ter a qualidade necessária a preço acessível para todos. As soluções para as cidades e edifícios passam pela redução do seu consumo e, principalmente, do seu desperdício, mas também pelo aproveitamento das águas residuais tratadas, das águas da chuva e/ou das águas cinzentas em fins menos nobres, na rega dos espaços verdes ou no combate a incêndios.

A construção/regeneração urbana sustentável passa pela aposta na reciclagem dos materiais, a incorporação de materiais locais e tecnologias de menor impacte ambiental, de resíduos, subprodutos e outros desperdícios, numa perspetiva de economia circular, de valorização dos materiais e de poupança dos recursos naturais.

Para a efetiva implementação das políticas públicas de sustentabilidade ambiental nas nossas cidades, é fundamental o envolvimento dos cidadãos e, para tal, tão importante quanto o despertar de consciências ambientais, será evidenciar as vantagens económicas da sua efetiva implementação, quer seja na redução do valor da fatura da energia e da água, no custo dos transportes e do tratamento de efluentes líquidos e resíduos sólidos ou na aquisição de produtos/materiais reciclados.

Autor

Miguel Lopes

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