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Medicina Nuclear: Uma história com presente e futuro

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Artigo de opinião de Pedro Costa, docente na Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto


A Medicina Nuclear foi definida, em 1972, pela Organização Mundial de Saúde como a especialidade que “engloba aplicações de materiais radioactivos no diagnóstico, tratamento ou investigação médica”. Apesar disso, a transposição dessa definição para a organização interna de cada país foi gradual e prolongada no tempo.

Aliás, o Colégio da Especialidade de Medicina Nuclear na Ordem dos Médicos, em Portugal, foi apenas criado na década de 80, sendo que os vários países da União Europeia foram reconhecendo esta especialidade ao longo dessa década. No entanto, importa deixar claro que esta área tem uma história bem mais antiga que o seu próprio reconhecimento formal. Note-se, por exemplo, que o fim da Segunda Guerra Mundial trouxe uma clara expansão e diversificação do seu uso clínico.


Assim como muitas outras áreas, a Medicina Nuclear tem beneficiado de múltiplos avanços que se têm denotado em disciplinas como a Física, a Química, a Biologia e a Farmácia, que se têm consubstanciado em incrementos nas ferramentas disponíveis para uso clínico ou biomédico. Aliados a estes avanços, os paradigmas actuais da Medicina Personalizada e da Medicina baseada em Ciência têm levantado desafios às tecnologias da Saúde, incluindo a Medicina Nuclear.


Esta realidade tem apoiado a transposição de um diagnóstico fundamentalmente baseado em observação clínica, para um diagnóstico suportado em meios complementares de diagnóstico, bem como a selecção de terapias específicas e personalizadas a cada patologia/indivíduo, ao invés de abordagens de largo espectro aplicadas indiscriminadamente.


Assim sendo, é indubitável o interesse dos exames de diagnóstico que a Medicina Nuclear apresenta, como se pode exemplificar pela implementação clínica de procedimentos que permitem a avaliação da perfusão regional do miocárdio (Cintigrafia de Perfusão do Miocárdio), avaliação de metastização óssea de múltiplas patologias tumorais (Cintigrafia Óssea), avaliação funcional dos rins (Cintigrafia Renal), diagnósticos diversos de patologias da tiróide (Cintigrafia da Tiróide) ou avaliação do metabolismo da glicose em contexto oncológico ou não oncológico (PET com
18F-FDG), entre muitos outros.

Assim como a possibilidade de recurso a terapias para situações que incluem o hipertiroidismo ou o carcinoma da tiróide, a metastização óssea de vários tipos de tumores ou o tratamento específico para tumores neuroendócrinos.


Estando num patamar de reconhecimento e de utilidade nunca antes alcançado, a Medicina Nuclear enfrenta ainda desafios que constituirão certamente as premissas para o trabalho necessário num futuro próximo, nomeadamente no que diz respeito à melhoria, expansão e diversificação dos procedimentos diagnósticos/terapêuticos, com a sua avaliação em termos de custo-eficiência, o aumento de unidades equipadas para a aplicação destes procedimentos, ou a sensibilização e capacitação dos profissionais, doentes e cidadãos para o interesse, aplicação e segurança da Medicina Nuclear.

Autor

Pedro Costa

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