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Espaço Alumni | Joana Santos

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Formada na ESS, escola de Saúde do Politécnico do Porto, Joana Santos sente-se hoje muito valorizada em Inglaterra e nem o Brexit a impede de trabalhar


Joana Santos, licenciada em Medicina Nuclear, recorda com carinho os tempos que passou na Escola Superior de Saúde (ESS). Foram anos de formação e crescimento até à passagem para a idade adulta. Natural de Carrazeda de Ansiães, Bragança, foi a primeira vez que morou longe de casa dos pais e a primeira vez que aprendeu a estudar "no verdadeiro sentido". Hoje, vive entre Portugal e Inglaterra.

"A ESS ensinou-me a ser adulta pela primeira vez", atira. Foi entre as quatro paredes da ESS, ainda em Gaia, que passou os primeiros quatro anos fora de Trás-os-Montes. E tirando os dramas e desilusões que fazem parte das dores de crescimento, fez parte da praxe, do Conselho Pedagógico e da Associação de Estudantes (AE), desenvolvendo o espírito de união e partilha. "Ensinaram-me que a vida de universitário tem o lado boémio, mas tem também o lado responsável, de trabalharmos para os nosso colegas voluntariamente", diz. "Aprendi a estudar no verdadeiro sentido, o de buscar conhecimento. O método de ensino do meu curso era o Practice-Based Learning, o que ajuda imenso a procurar as respostas em vez de estudar teoria apenas", defende.

Hoje é Senior Nuclear Medicine Technologist — "sim, em inglês, porque é em Inglaterra que está a minha vida profissional". Mal terminou a licenciatura, trabalhou em posições permanentes para o Sistema Nacional de Saúde inglês (NHS) durante mais de dois anos, em Birmingham, agora é freelancer e procura o próprio emprego em hospitais, intermediada por uma agência privada. "Felizmente a nossa educação é muito reconhecida e requisitada lá fora e nem o Brexit nos impede de trabalharmos em Inglaterra, onde sempre me senti valorizada", congratula-se Joana, que divide-se entre Inglaterra e Portugal, onde se encontra a estudar novamente, desta vez Ciências da Nutrição.

"Vivo 70% do ano em Portugal e o resto em Birmingham. Adaptei-me muito bem à cultura inglesa, sendo que sinto alguma nostalgia quando retorno a Portugal", admite. A principal diferença são as mentalidades. "As pessoas são super liberais, mais conscientes com temas sociais como direitos LGBT e a nível profissional toda a gente se preocupa com o stress e saúde mental, há mais preocupação com o ambiente, mais valorização do tempo com a família, a ida ao pub depois do trabalho", explica.

Mais do que o conhecimento teórico, Joana defende que a componente humana, enquanto profissional de saúde, é o elemento diferenciador na qualidade de vida dos seus pacientes. Nesse sentido, a sua experiência na AE da ESS, primeiro, e o Erasmus, depois, contribuíram para a tornar a pessoa que é, "sempre a tentar evoluir, sem medo da mudança".

Aos futuros licenciados da ESS deixa um conselho. "A licenciatura é o início de uma caminhada." Mesmo com a sorte de trabalhar na área de formação, no país de primeira escolha e com uma remuneração que corresponda às expectativas, "podemos mudar radicalmente de profissão ou evoluir dentro da mesma, sem ser estático, valorizando a empatia com as pessoas que nos rodeiam".

"Em Portugal ainda estamos longe do reconhecimento que as nossas profissões merecem, comparando com outros países, quer a nível de remuneração, apoio a formações, incentivos à investigação. Mas os portugueses são muito bom naquilo que fazem, tão bons que a palavra português chega antes do nosso currículo quando concorremos para empregos lá fora", assegura.

Autor

CCIC | P.PORTO

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