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Editora do P.PORTO lança livro sobre cinema de António Ferro

Presidência

"António Ferro e o 'Heróico Cinema Português'", de Carla Ribeiro, é lançado no dia 1 de abril às 19h


No próximo dia 1 de abril, sexta-feira, o P.ARTES (Praça Marquês de Pombal 94, Porto) recebe o lançamento do livro António Ferro e o 'Heróico Cinema Português', de Carla Ribeiro. O tomo explora a forma como, a partir de 1933, António Ferro ajudou a construir a mitologia de um país moderno, nomeadamente com recurso ao cinema, arte da qual Ferro era um grande entusiasta.

António Ferro (1895-1956) foi escritor, jornalista, diplomata e político. Ficou conhecido como editor da revista Orpheu e, consecutivamente, como diretor do Secretariado de Propaganda Nacional entre 1933, ano de instauração do Estado Novo, e 1944; e como diretor do Secretariado Nacional de Informação, Cultura Popular e Turismo, entre 1944 e 1950.

Autor publicado, com uma licenciatura inacabada em Direito, tornaram-se famosas as suas entrevistas a Salazar (Salazar, o Homem e a Obra), Mussolini, Primo de Rivera, estrelas de cinema e personalidades da época. Ferro foi a cara e o cérebro por detrás da instrumentalização da cultura nacional ao serviço dos mitos da propaganda do regime.

Em 2022, passam 90 anos sobre as cinco entrevistas de António Ferro a Salazar, publicadas no Diário de Notícias em dezembro de 1932. O historiador Fernando Rosas entende-as como o primeiro manual de propaganda do novo regime. Foram, com efeito, o que tornou o ainda algo obscuro e recém-nomeado Presidente do Conselho numa figura em que o povo se podia reconhecer. O mito começava a ser criado. As entrevistas deram a Ferro um cargo no Estado Novo: o de director do Secretariado de Propaganda Nacional. No ano passado, em novembro, assinalaram-se os 65 anos sobre a morte prematura deste homem. Uma data mais: a primeira sessão pública do cinematógrafo, em Paris, pelos irmãos Lumière, realizou-se no ano em que Ferro nasceu: 1895. Seis anos após o seu desaparecimento, na sua História Breve do Cinema, Manuel Maria Múrias descrevia António Ferro como “um cinéfilo como não houve outro em Portugal”. Assim isolados, estes factos pouco significam. Mas em conjunto ajudarão a compreender melhor o papel que António Ferro – que ficou célebre sobretudo como o homem da propaganda de Salazar e do Estado Novo – desempenhou no panorama do cinema português nas décadas de 1930 e 1940.


A Politema, editora do P.PORTO, surge da vontade de divulgar autores, promotores e tradutores que integrem a comunidade Politécnico do Porto, segundo critérios editoriais definidos. Com o objetivo de estimular e promover o desenvolvimento do ensino e da investigação, a atividade editorial divulga externamente a identidade própria do P.PORTO, formando um papel capital no eixo da atividade cultural, configurando-se como um meio de comunicação privilegiado entre a comunidade académica e a sociedade.

O P.ARTES é uma iniciativa cultural da Presidência do Politécnico do Porto em colaboração com as suas oito escolas. Tem dois objetivos fundamentais: constituir-se como um espaço formal de promoção e divulgação dos bens e práticas culturais produzidas nas diferentes escolas do P.PORTO; e assumir-se como um ator multifacetado, portador de uma pluralidade de potencialidades artísticas, capaz de interpelar, culturalmente, a comunidade em que se insere e de responder, de uma forma articulada e integrada, às solicitações que se lhe coloquem no seu âmbito de ação — as artes na sua totalidade.

Autor

GCDI | P.PORTO

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