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Publicado em: 08 Junho 2026

Primeiro-Ministro de visita à futura Universidade Técnica do Porto

No seguimento da aprovação em Conselho de Ministros, no dia 21 de maio, do decreto-lei que reconfigura o Politécnico do Porto, integrando-o no subsistema universitário sob a designação Universidade Técnica do Porto, o Primeiro-Ministro e o Ministro da Educação, Ciência e Inovação visitaram esta segunda-feira, dia 1 de junho, o Politécnico do Porto para assinalar esta transformação histórica, um momento único para o Ensino Superior português que não é mais do que o reconhecimento de décadas de excelência no ensino, na ciência, na inovação e na articulação com o tecido empresarial

Esta decisão do Conselho de Ministros representa um marco histórico para a instituição e para o ensino superior em Portugal, reconhecendo o percurso académico, científico e de inovação desenvolvido pelo P.PORTO ao longo das últimas décadas. Segundo o comunicado do Conselho de Ministros, a aprovação da nova universidade enquadra-se na estratégia de fortalecimento da rede de ensino superior e do sistema científico e tecnológico nacional, com o objetivo de reforçar a coesão territorial e consolidar um ensino superior público “mais diversificado, competitivo e preparado para os desafios do futuro”.

Foi no seguimento da oficialização do nascimento da Universidade Técnica do Porto que, esta segunda-feira, dia 1 de junho de 2026, o Primeiro-Ministro Luís Montenegro esteve no Politécnico do Porto para assinalar a abertura deste novo ciclo. A sessão solene, que decorreu no Auditório Magno do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP, uma das cinco Escolas que transita para o subsistema universitário), reuniu representantes do governo, das autarquias, das instituições de ensino superior, das empresas e da sociedade civil, num momento que simbolizou o reconhecimento do percurso de crescimento e afirmação que o Politécnico do Porto percorreu desde a sua fundação jurídica, em 1985, mas que pode ser traçada a um passado mais distante, há 174 anos.

OS DISCURSOS
A primeira intervenção da manhã esteve a cargo de Paulo Pereira, Presidente do Politécnico do Porto, que sublinhou o significado histórico da decisão agora concretizada, destacando que a criação da Universidade Técnica do Porto representa o culminar de um percurso de excelência académica, científica e de ligação à sociedade. O Presidente do P.PORTO enalteceu ainda o contributo de toda a comunidade académica e dos parceiros institucionais que tornaram possível este projeto transformador. Mas também aplacou as dúvidas que possa haver com o surgimento da Universidade Técnica do Porto: "O modelo preconizado centra-se na complementaridade. A proposta assenta num modelo binário, assumido, que preserva a identidade politécnica e integra uma componente universitária. A nova universidade não pretende duplicar a oferta existente, mas sim criar programas distintivos e complementares. Trata-se de preencher lacunas, não de gerar redundâncias". A Universidade Técnica do Porto será, garante Paulo Pereira, "uma força transformadora empenhada em construir o futuro" porque "o conhecimento não é apenas transmitido, é criado, partilhado e transformado em impacto", capacitando pessoas, empresas e a sociedade no sentido de "prosperarem num mundo de desafios complexos".

"Este momento não é só merecido, é também oportuno." As palavras são de Pedro Duarte, Presidente da Câmara Municipal do Porto, que tomou a seguir da palavra, e elabora: "Porque acontece numa fase importante da vida do Porto. Sente-se no Porto uma energia nova, uma atmosfera de confiança, uma vontade coletiva de fazer mais, de fazer melhor, e de olhar para o futuro com ambição." O autarca fez questão de sublinhar que "nenhuma cidade progride verdadeiramente se esse progresso não estiver assente na cultura e no conhecimento" e o Porto terá, por isso, de ser cada vez mais fundado "na ciência, na inovação, na tecnologia, na cultura, na criatividade e no talento" para que seja uma cidade capaz de "fixar os seus jovens, atrair investimento qualificado, apoiar as suas empresas, melhorar os seus serviços públicos e encontrar respostas mais efetivas para os desafios sociais, ambientais, económicos e urbanos que temos pela frente".

Fernando Alexandre, Ministro da Educação, Ciência e Inovação, centrou o seu discurso no enquadramento da criação da Universidade Técnica do Porto 
na estratégia de valorização do ensino superior e da investigação científica, sublinhando o papel determinante das instituições de ensino superior na criação de conhecimento, na qualificação das pessoas e no desenvolvimento económico e social do país. "A educação, o ensino superior e a ciência foram, tenho-o dito várias vezes, com o poder autárquico, os principais motores de transformação de Portugal nos últimos 50 anos. São dimensões de transformação que mudaram a vida das pessoas e o nosso país", disse. Para enfrentar um mundo "que mudou muito", temos de ter capacidade de "permitir que o nosso sistema de ensino superior, o nosso sistema científico e tecnológico, evolua e tenha capacidade de resposta a esses desafios".

O discurso de encerramento pertenceu, como não podia deixar de ser, a Luís Montenegro, Primeiro-Ministro, que destacou a importância histórica da criação da Universidade Técnica do Porto, enquadrando-a na estratégia do governo para reforçar a capacidade científica e tecnológica de Portugal, salientando ainda que a nova universidade permitirá aprofundar a investigação, expandir a oferta formativa universitária e fortalecer a participação em redes de inovação e desenvolvimento, contribuindo para a competitividade do país e para a valorização do talento. "A educação é o fulcro da nossa democracia. É na escola, é no ensino, é na aprendizagem, é no conhecimento que somos todos iguais e que cada um de nós pode lutar pela sua oportunidade", começou por dizer. Para desenvolver o conhecimento e a investigação, o conhecimento científico, "precisamos de instituições de ensino superior fortes, robustas e autónomas", para que um estudante "não tenha de escolher a sua universidade, o seu politécnico, não em função do seu mérito e trabalho, mas em função da sua condição económica". Para Luís Montenegro, esta é "a altura de darmos ao ensino superior em Portugal uma nova lufada de criação de valor". Um modelo de qualificação das pessoas que "começa quando elas nascem". E é a olhar para isso "que nós acreditamos muito na Universidade Técnica do Porto", concluiu.


O CONTEXTO
Reunido na Câmara Municipal de Pombal, o Conselho de Ministros oficializou, no dia 21 de maio, por decreto-lei, a criação de duas novas universidades em Portugal: o Politécnico de Leiria será Universidade de Leiria e do Oeste; e o Politécnico do Porto passará a Universidade Técnica do Porto. Estes formalismos representam muito mais do que uma alteração institucional: são um sinal claro de confiança no Ensino Superior como instrumento estratégico para o desenvolvimento do país. E maior é o seu alcance quando consideramos que não nascia uma nova universidade em Portugal desde 1988, na Madeira.

Esta decisão representa a formalização jurídica de uma realidade que todos nós já construíamos diariamente. É o reconhecimento justo e inequívoco do percurso de excelência académica, científica e de inovação que o P.PORTO desenvolveu ao longo dos últimos 40 anos. O processo de reconfiguração mereceu pareceres favoráveis do Conselho Coordenador do Ensino Superior, do Instituto para o Ensino Superior e da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.

Depois da possibilidade do Politécnico do Porto ministrar cursos de terceiro grau (doutoramentos), esta conquista ainda mais transformadora resulta de uma visão partilhada entre a instituição, o governo e os diversos parceiros regionais, tendo a convicção irredutível de que o conhecimento, a ciência e a inovação são os principais motores do desenvolvimento económico e social. Assim, a Universidade Técnica do Porto nasce com uma missão clara: qualificar mais pessoas, reforçar a investigação e a inovação, responder aos desafios das empresas e aumentar a projeção internacional da região, nomeadamente da Área Metropolitana do Porto e da Comunidade Intermunicipal do Tâmega e Sousa.

Há momentos em que as instituições se adaptam às circunstâncias. E há momentos em que ajudam a transformar a realidade. A Universidade Técnica do Porto é a afirmação de uma vontade coletiva de criar mais oportunidades, gerar mais conhecimento e construir um futuro melhor para as próximas gerações. Mudar destinos, mudar vidas.

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