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Os Veículos Elétricos

ISEP

Artigo de opinião de António Carvalho de Andrade, Professor do ISEP, escola de Engenharia do Politécnico do Porto


A utilização de energias fósseis não é neutra do ponto de vista ambiental devido à libertação de gases de efeito de estufa (GEE), que estão a alterar o equilíbrio da atmosfera que existia no período pré-industrial. As consequentes mudanças climáticas já se fazem sentir com o aparecimento frequente de fenómenos climáticos extremos, como secas severas e vagas de calor, que propiciam incêndios incontroláveis como os que ocorreram no verão passado em Portugal. Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde estima que anualmente haja sete milhões de mortes prematuras no mundo, das quais 500 mil na Europa, devido à poluição do ar, já apelidado de “assassino silencioso”.

Atualmente, em várias cidades europeias os níveis de poluição do ar já estão acima dos níveis máximos. Para os reduzir, progressivamente será proibida a circulação dos veículos poluidores, sendo estes substituídos por veículos com Zero Emissão (ZE). O interesse nos ZE aumentou com a descoberta da manipulação das emissões poluentes através de software, por várias marcas, indiciando um limite tecnológico do Motor Combustão Interna (MCI).

Os ZE são veículos automóveis acionados por um motor elétrico, com rendimento superior ao MCI, mas sem emissão de poluentes. Na versão mais simples, a energia é armazenada numa bateria e na versão mais complexa além da bateria, existe ainda uma pilha de combustível (fuel-cell) que produz eletricidade a partir do hidrogénio armazenado num depósito (FCVE).


Atualmente o preço de aquisição do VE (veiculo elétrico) ainda é superior ao de um com MCI, mas o previsível aumento de vendas permitirá um incremento da economia de escala, prevendo-se por isso nos próximos anos uma descida acentuada do seu preço. O fator que tem maior peso no preço final do VE é o elevado custo da bateria. Contudo, devido à evolução tecnológica e à produção em grandes séries é expectável que os preços das baterias continuem a baixar e oferecendo maior autonomia e fiabilidade.

A título de exemplo, um Leaf 2.ZERO com uma bateria de 40 kWh, com oito anos de garantia ou 160.000 km (recentemente adquirido pelo autor), tem uma autonomia real entre 180 a 320 km, dependendo: do tipo de condução; condições atmosféricas; perfil da estrada; tipo de estrada (autoestrada/nacional). Nunca senti a angústia da falta de autonomia, dado que a autonomia real é muito superior aos seus trajetos diários (50 a 100 km). O carregamento do VE é efetuado em casa numa vulgar tomada monofásica de 16 A, com uma potência de 3 kW. Como faço 80 a 90 % dos percursos em autoestrada e o restante em cidade, o veiculo obtém um consumo médio de 16,5 kWh/100 km. Com uma tarifa de eletricidade de 0,115€/kWh em vazio (contrato de fornecimento de energia com dupla tarifa), 100 km ficam por 1,9€. Também é possível realizar cargas rápidas a 50 kW DC na rede Mobi.E que nesta altura são ainda gratuitas.

Além das medidas que estão a ser implementadas no sector automóvel, a mudança das opções energéticas a nível individual também podem contribuir para ajudarmos a reverter este flagelo que ameaça as novas gerações através das mudanças climáticas e a poluição do ar. A opção de utilizar energia em casa através exclusiva de energias renováveis (energia solar fotovoltaica ou uma caldeira a biomassa) pode ser uma solução. 

Autor

António Carvalho de Andrade

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