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Aprender a ler com o Politécnico do Porto

ESS

O Centro de Investigação e Intervenção na Leitura (CIIL) do P.PORTO intervém na aprendizagem precoce da leitura e da escrita e os resultados estão à vista


Certo dia, Romeu, de 5 anos, apareceu no corredor de casa com um esfregão numa mão e um pano na outra exclamando "antónimos". Os pais com espanto, perguntaram de que falava ao que ele respondeu “áspero e macio, são antónimos” e disse que tinha sido o Falaroco a ensinar.

O Falaroco é a mascote do CIIL, Centro de Investigação e Intervenção na Leitura, e todos os dias ganha vida na EB1 Bom Pastor, no Carvalhido, Porto, promovendo a consciência fonética das crianças do Jardim de Infância e reforçando as sessões de aprendizagem de leitura nos que frequentam o primeiro ano.

Com o objetivo de promover o sucesso educativo, através do desenvolvimento das competências alicerce ao nível da aprendizagem da leitura, o projeto, resultou de um estudo-piloto que envolveu inicialmente 80 crianças em risco de insucesso e que se alargou recentemente a mais estudantes e a mais estabelecimentos de ensino.

"Queremos combater o insucesso escolar através da prevenção precoce e do incentivo das competências de base à futura aprendizagem da leitura, designadas competências pré­‑leitoras", declara Ana Sucena, coordenadora científica do CIIL e docente na ESS, Escola Superior de Saúde do Politécnico do Porto, explicando que "a intervenção é eficaz se a posicionarmos muito cedo na vida da criança".

O projeto, que resulta de uma união de esforços entre o Politécnico do Porto, a Câmara Municipal do Porto e o Ministério de Educação, foi criado em maio de 2015 e decorre atualmente em quatro agrupamentos escolares do concelho do Porto, abrangendo seis jardins-de-infância. É feita em contexto escolar por um técnico (psicólogo/professor do ensino básico/terapeuta da fala), com a colaboração do educador de infância. Até ao momento, já beneficiou 331 crianças do jardim­‑de­‑infância.

De acordo com a investigadora, os resultados obtidos até à data indicam que esta intervenção permitiu uma diminuição de 50% no número de crianças que, ao início do primeiro ano, ainda apresentavam fragilidade quanto às competências essenciais para poderem aprender a ler e escrever. "Uma grande percentagem das crianças, que tinham tudo para ter um percurso de insucesso, acabam por ter um percurso inserido naquilo que é o esperado", afirmou.  “A ideia é intervir antes de a criança perceber que está a ser difícil aprender a ler”, assinalou a responsável.

Para além do Falaroco, as sessões incluem jogos de mesa ou softwares como o Graphogame, destinado a desenvolver a descodificação e consciência fonética. Mais recentemente, e em parceria com a Porto Editora, foi lançado o Projeto Eu Leio, um jogo destinado a desenvolver competências de leitura e de escrita em crianças que experienciam dificuldades na aprendizagem da leitura ou apresentam necessidades educativas especiais.

Para o próximo ano letivo a equipa espera conseguir manter este projeto de intervenção nos primeiros anos de escola e replicá-lo em mais estabelecimentos de ensino.

Autor

CCIC | P.PORTO

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