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Docente da ESS em importante estudo sobre a adição

ESS

Estudo com resultados novos e inesperados diz que o consumo repetitivo de álcool afeta células imunes do sistema nervoso


Teresa Summavielle, docente da Escola Superior de Saúde (ESS) do Politécnico do Porto e investigadora do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), participa num importante estudo sobre como o consumo repetitivo de álcool e da forma como afeta diretamente células imunes do sistema nervoso central eliminando parte da comunicação entre os neurónios e provocando o aumento da ansiedade.

Os investigadores do grupo “Glial Cell Biology” mostraram que a ingestão repetitiva e excessiva de álcool atua diretamente na microglia (células imunes do sistema nervoso central), fazendo com que estas respondam muito antes dos neurónios aos efeitos do álcool. O álcool ativa essas células que eliminam as sinapses [elementos de comunicação entre os neurónios], o que contribui para a
 disfunção neuronal e possivelmente, comportamental que conduz à adição.

A par do papel neurotóxico do álcool, a equipa de investigação “Addiction Biology” do i3S, liderada pela investigadora Teresa Summavielle, estudou “o papel da microglia no cérebro sob o efeito do álcool”. “O facto de termos negligenciado outras células do cérebro durante muito tempo, considerando-as de suporte, contribuiu para que muitas das terapêuticas que temos para as doenças relacionadas com o cérebro não fossem tão eficientes como poderiam ser”, disse a investigadora.

Tendo por base o mesmo modelo experimental, o grupo de investigação concluiu que o padrão de “ingestão repetitiva de álcool” durante dez dias foi “suficiente para aumentar os níveis de ansiedade”. “Qualquer alteração nas sinapses reflete-se no comportamento e, isto é relevante, porque mostra que não é preciso períodos muito longos de quantidades excessivas de álcool para que a ansiedade se manifeste”, referiu.

Neste estudo, o grupo de investigação mostrou ainda que é “possível reverter o efeito do álcool”, nomeadamente através de fármacos já utilizados para combater o cancro. “Usámos fármacos que já estavam aprovados para tentar diminuir os efeitos tóxicos do álcool e resultou”, disse Teresa Summavielle, acrescentando que o grupo pretende dar continuidade ao estudo.

“Gostávamos de usar um modelo de exposição mais longa para ver como é que o perfil de reatividade da microglia é alterado, como é que isso se reflete na ligação entre a microglia e outras células, o impacto que isso tem no comportamento e até que período de ingestão de álcool conseguimos prevenir os efeitos”, afirmou.

A docente da ESS é licenciada em bioquímica e doutorada na área do desenvolvimento do sistema nervoso sob exposição a drogas psicoestimulantes. Diretora do Addiction Biology Group (IBMC), que estuda os mecanismos de neurotoxicidade induzida pelo abuso e dependência de drogas. Coordena cursos de “Neurobiologia da Dependência” em dois programas de doutoramento na Universidade do Porto.

Autor

GCDI | P.PORTO

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